domingo, outubro 10, 2010

Árvores Dançantes em F menor

Hiroshi Nakamura


Troveja, o chão fervilha por entre a chuva e a pressão do alcatrão. Vejo árvores a esvoaçar à frente dos meus olhos e a velocidade do meu caminho não permite que as identifique ou distinga.

O som da impassível realidade ainda ecoa. O constrangimento perante a inexorabilidade do destino traçado e o olhar impotente trocado ainda queima o presente.

Encerra-se um capítulo, levantam-se fileiras, recontam-se espingardas e percebe-se que a guerra nunca passou sequer da sala de estratégia. Uma das partes nunca teve intenção de a ganhar. Nunca foi firme, nunca ousou.

Lá fora, o céu começou entretanto a ceder. Ironicamente, permitiu que alguns raios de sol fugissem, instalando uma falsa sensação de paz.

Escolhas. Sonhar ou quebrar.

1 comentário:

Jana disse...

Sonhar! Sempre!